11/25/2005

A propósito dos resultados da sondagem Público/RTP/RDP/Católica


Penso que Soares deveria pensar, seriamente, numa coligação com esta senhora. FS

3 Comments:

Blogger Arrebenta said...

GRANDE ENTREVISTA DE CAVACO SILVA A KATIA REBARBADO D'ABREU (5ª Parte) - "Cultura"

(Continuação)

K.R.A. — Professor Cavaco Silva, falemos de Cultura. Para muitos Portugueses, quando se fala de “Cultura” a ideia que têm do Professor é a mesma que têm de Goebbels: saca logo do revólver… (risos)

C.S. – (risos) Por amor de Deus, minha senhora, isso é um disparate!... Leia o meu manifesto “As Minhas Ambições para Portugal”, e verá quantas vezes lá aparece a palavra “cultura”...

K.R.A. — Esse é um manifesto abstracto, que fala de um futuro que só poderá acontecer, na eventualidade de ser eleito. Eu gostaria de o interrogar sobre o passado, ou seja, sobre o tempo em que o Professor, quando, de facto tinha poderes realmente interventivos, como Primeiro-Ministro. Como resumiria a sua acção cultural, durante 1985-1995?...

C.S. – Olhe, minha senhora, antes de mais, aquilo que considero o maior testemunho cultural da minha governação, o Centro Comerci… perdão, o Centro Cultural de Belém. Quer melhor obra do que ter colocado à disposição dos Portugueses o Centro Cultural de Belém?...

K.R.A. — Uma excelente obra, que custou umas quantas vezes mais do que o inicialmente previsto, que ficou incompleta, dadas inconfessáveis cumplicidades que existiam entre Governo, Câmara Municipal de Lisboa, Lojas Maçónicas e outros interesses ocultos, como mais tarde se veio a demonstrar, enfim… a tentar demonstrar, no Processo da Universidade Moderna. Resumindo: até o Centro Cultural de Belém ficou incompleto, posto que os módulos finais, que se deveriam construir sobre os barracões "ataveirados" da Universidade Moderna, foram obstruídos pelos jogos de poder que já ali se digladiavam…

C.S. – Mas fiz lá uma ópera, minha senhora, a segunda grande ópera construída de raiz, desde o séc. XVIII. Parece-me que estou a ver a minha senhora, a Doutora Maria, a virar-se para mim e a dizer-me…, permita que confesse este momento da minha intimidade a todos os Portugueses… “Aníbal, agora, que és Primeiro-Ministro, gostaria de entrar, acompanhada por ti, pela primeira vez, num Teatro de Ópera”, e eu lembro-me de lhe ter respondido, “Maria, 40 000 000 de contos nos separam desse pequeno gesto”.

K.R.A. — Ou, como diria, o Poeta, a Maria sonha, o Aníbal manda, o Erário paga, a Obra nasce…

C.S. -- … isso.. Isso!... (bebe um copo de água)

K.R.A. — Falando de ópera: recentemente descobriu-se que eram ambos fervorosos melómanos, e que foram assistir à “Traviata”…

C.S. -- … de Wagner. Deixe que lhe diga, minha senhora, que saí de lá com os cabelos completamente arrepiados: aquele momento em que a Traviata, já tuberculosa, vem, Ta Tã Ta ta Tã!..., na Cavalgada das Valquírias, e depois se deita, já morta, com a sua lança num anel de fogo. Uma coisa gloriosa!... A minha esposa, em contrapartida, chorou muito na parte final, em que o Grande Wotan cantou “Di Provenza, il mar, il suol!...”

K.R.A. — Uma das críticas, que se faz ao seu período de governação, foi a de ter tornado o Teatro de S. Carlos no palco de uma parada de vaidades dos novos-ricos, de lá afastando os verdadeiros melómanos. Pensa, como Presidente, re-democratizar o acesso aos espaços culturais?...

C.S. – Minha senhora, com certeza de que não estava à espera de que eu pensasse, como o António Silva, daquele célebre filme (risos), que a Ópera era para os operários. Obviamente que, muito discretamente, o São Carlos foi redireccionado para as pessoas que tinham triunfado na nova dinâmica económica. Como sabe, os recursos são escassos, pelo, que na dinâmica de uma sociedade aberta, de livre comércio, só deve ter acesso a determinados patamares quem se bateu para lá chegar. A senhora, de certeza que não me estava a pedir que enfiasse, nas poucas centenas de lugares do Teatro Nacional de São Carlos, 10 000 000 de Portugueses!...

K.R.A. — Estava apenas a questioná-lo sobre se essas escassas centenas de lugares eram ocupadas pelas pessoas certas, ou por pessoas que iam sistematicamente utilizar esse espaço para rituais alheios à sua função…

C.S. -- … e deixe-me que lhe diga, também abri ao grande público o Teatro Nacional D. Maria II, se bem se lembra, colocando em cena, durante meses e meses a fio, com enormes filas à porta, aquilo que, confesso, considero a minha grande contribuição para o panorama artístico português, o imortal “Passa por mim no Rossio”, de Filipe la Féria, que, aliás, como sabe, também integra a minha Comissão de Honra.

K.R.A. — Quanto à Literatura, Professor, para além do ridículo episódio entre Sousa Lara e Saramago, pouco ficou…

C.S. – Minha senhora (olha para o papel)… houve Maria Roma, Pedro Paixão, Inês Pedrosa…

K.R.A. — Tudo nomes de primeiríssimo plano…

C.S. – Exactamente, e ainda bem que também aí me dá razão.

(Continuação)

http://great-portuguese-disaster.blogspot.com/

6:48 da tarde  
Blogger Arrebenta said...

GRANDE ENTREVISTA DE CAVACO SILVA A KATIA REBARBADO D'ABREU (6ª Parte) - "Cultura e mais Cultura"

K.R.A. — Quanto à Arquitectura, é incontornável o nome de Tomás Taveira.

C.S. – (Tosse e bebe um copo de água).

K.R.A. — … como, aliás, é incontornável o fenómeno de proliferação descontrolada das periferias urbanas, com desertificação do Interior, e acumulação das populações em caixotes não-arquitectónicos, dormitórios explosivos, como recentemente se manifestaram, em França…

C.S. – Minha senhora, vai-me dizer que um residente, hoje, das urbanizações de Ranholas seria eventualmente, mais feliz numa terra sem água, luz ou televisão, nas proximidades de Fornos de Algodres?...

K.R.A. — Isso terá de perguntar às pessoas que lá vivem, não a mim…
Do mesmo modo, há quem o acuse de ter desfigurado Lisboa, importando para o interior do perímetro urbano soluções indignas do subúrbio de qualquer cidade europeia civilizada…

C.S. — Não, minha senhora… não…

K.R.A. – Sim, Professor Cavaco, sim, há mesmo quem diga que, no seu tempo, na esquina em que antes havia uma pastelaria tradicional, o senhor instalou um banco, aliás, um banco, um drogado e um pedinte…

C.S. — Por amor de Deus!...

K.R.A. -- … e que a situação de miséria, insegurança e ostentação era já tal, que, no final da 2ª Maioria absoluta, em cada esquina, já só se via um banco, um pedinte, um drogado e também um polícia, e quando havia que se cortar nalguma coisa, pois…, cortava-se no polícia!...

C.S. — Minha senhora que exagero!...

K.R.A. – Professor Cavaco Silva, quer-me, a propósito, falar de Droga, quer-me explicar que soluções apresenta hoje para o problema da Droga, talvez a epígrafe de todo o seu período enquanto foi Primeiro-Ministro?... Quer explicar aos Portugueses como é que, e basta traçar o paralelo com as cidades do país vizinho, com a sua agitada vida nocturna, quer-me explicar que medidas vai tomar para impedir que, mal caia a noite, 10 000 000 de cidadãos fiquem sujeitos a uma espécie de “recolher obrigatório”, que tornou os nossos núcleos urbanos reféns do medo de assaltos de uns quantos milhares de excluídos, eventualmente toxicodependentes, ou meros membros de “gangs” de excluídos, ou de indivíduos com comportamentos sociopatas potenciados?...

C.S. — Nas Minhas Ambições para Portugal… (bebe um copo de água)

K.R.A. – Nas suas ambições para Portugal…

C.S. — Nas Minhas Ambições para Portugal, assumo claramente que “não me conformo com as bolsas de pobreza e exclusão social” e que irei promover um combate efectivo “à toxicodependência e ao alcoolismo”…

K.R.A. – Como?... Promovendo políticas contrárias às do período em que governou Portugal, e em que todas essas bolsas tiveram início e se expandiram descontroladamente?... Lembra-se das mulheres desempregadas de Setúbal que se tinham de prostituir, quando o senhor deixava, todos os dias, falir fraudulentamente empresas, aí, e pelo país inteiro?... O que vai fazer agora, num tempo em que já não há os célebres três orçamentos, o de Estado, o das Privatizações e o Comunitário, para resolver problemas agravadíssimos?...

C.S. — (pausa) Minha senhora, “procurarei afastar desânimos e pessimismos quanto ao futuro do país, reavivar a esperança e transmitir aos Portugueses uma vontade nacional de vencer, progredir e responder com energia aos desafios colocados pela mudança, convicto, que estou, do papel decisivo da confiança nas nossas próprias capacidades”…

K.R.A. – Portanto, assim com os Funcionários Públicos, eventualmente, ficará à espera de que toxicodependentes, excluídos e desempregados acabem por morrer…

C.S. — Se entretanto não se encontrar uma solução melhor, deixe-me que lhe pergunte a si… e por que não?... E por que não?...

K.R.A. – Voltando à Cultura, de que modo acha que a sua eventual… digamos, magistratura de influência, poderia melhorar o clima de desastre cultural do País?

C.S. – Olhe, minha senhora, para isso, conto com o precioso apoio da Senhora Minha Esposa: deixe que lhe revele aqui um outro pequeno episódio da nossa intimidade. Recentemente, e estando a rever no canal “História” um episódio sobre a biografia de Jacqueline Kennedy, a drª. Maria Cavaco Silva revelou-me que tinha uma particular admiração por Jacqueline, e que muitas das suas orientações de vestir e de estar, ainda hoje, eram fortemente influenciadas por essa amargurada senhora…

K.R.A. – Está-me, portanto, a querer dizer que, no seu íntimo, a Drª. Maria Cavaco Silva se compara com Jacqueline Lee Bouvier Kennedy Onassis?...

C.S. – Isso, exactamente isso (sorri). Suponho, portanto…, que…, se…, quando…, em Janeiro for eleito Presidente da República, a figura da minha esposa também poderá exercer uma verdadeira magistratura de influência internacional e do projectar do gosto de um Portugal, renascido, além-fronteiras (bebe um copo de água). Aliás, quando ela me fala de quando chegará esse importantíssimo momento, eu costumo sempre responder-lhe, “Filha, 300 000 votos: a diferença entre haver, ou não haver, uma 2ª. Volta, separam-nos da tua, nossa, eterna glória”…

K.R.A. – Uma última pergunta sobre este tema, Professor… Para um homem que se diz ter preocupações culturais, lembra-se de Santana Lopes, e dos tempos em que foi Secretário de Estado da Cultura dos seus governos?...

C.S. – (pausa) Sim, lembro…

K.R.A. – Deve estar recordado da célebre história dos Concertos de Violino de Chopin?...

C.S. – (Põe uma Pose de Estado à Henrique Santana) … Minha Senhora, no meu manifesto “As Minhas Ambições para Portugal”, está bem explícito que tudo farei para que Portugal “preserve o seu tradicional repúdio pelo racismo e pela xenofobia”… No tempo em que era Secretário de Estado da Cultura, o dr. Santana Lopes foi acusado de ter dado primazia à descoberta desses inéditos do património musical mundial, os referidos Concertos de Violino de Chopin… Os Portugueses poderiam argumentar, há 10, ou 15 anos, que não era justificável que os recursos financeiros e culturais do nosso país fossem aplicados na divulgação da obra de um compositor estrangeiro, para mais, externo ao espaço comunitário, como era o caso do polaco Chopin. Isso, para mim, já na altura se chamava “Xenofobia”. Hoje, em 2005, na óptica da Globalização e com a Polónia a ser membro de pleno direito do Espaço Económico Europeu, já era, ou não era, visionário que eu, através do meu Secretário de Estado para a Cultura, promovêssemos a obra desconhecida de um compositor de um futuro membro e parceiro da Europa alargada?... Ora, responda lá a senhora por mim!...

(Continua)

12:50 da manhã  
Blogger JAC said...

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1:44 da manhã  

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