12/31/2005

Farpas, crónica radiofónica

sátira sobre as Presidenciais para o RCP, Best Rock e Cidade FM (MCR)

(entre 26 e 30 de Dezembro)

Esta pequena pausa natalícia ter-me-ia sabido que nem ginjas não fosse dar-se o caso de odiar ginjas. Mas souberam bem: o Natal, essa altura em que festejamos – há mais de 2000 anos – o aniversário de um indivíduo que disse que voltava e nunca mais apareceu, serviu – pelo menos – para silenciar os candidatos a Belém.

Todos? Não. Há sempre uma excepção. Soares continua a prometer nunca mais falar de Cavaco apenas para violar a promessa constantemente. Congratulo-me com as melhoras do candidato. Demorou quase um ano a quebrar a promessa de que nunca mais voltaria à política, agora precisa apenas de poucas horas para quebrar o voto de silêncio sobre o velho rival.

Cavaco é apoiado pelo PP, como se sabe. Quem ouviu o líder centrista, José Ribeiro e Castro, pronunciar-se há dias sobre a esquerda e o terrorismo, percebe porque o seu partido não tem o seu próprio candidato a Belém. Têm mais com que se preocupar: andam desesperadamente à procura dos comprimidos para dar a Ribeiro e Castro.

Frases para reflexão: “Eu sou a esperança”, “É fácil ganhar as eleições de 22 de Janeiro” e “Só os ignorantes é que não votam em mim”.
Das duas uma, ou Cristo voltou finalmente à Terra ou Manuel João Vieira é o autor destas pérolas. Não, puro engano: as ditas frases vinham em destaque, ontem, no Público, e pertencem a Maria Teresa Lameiro, pré-candidata à Presidência da República e funcionária pública em Gaia.

Com um discurso semelhante, não admira que ninguém goste de ir a repartições públicas. Mais, Maria Teresa Lameiro conseguiu apresentar 10.000 assinaturas no Tribunal Constitucional. Como é possível?! Falsificou-as ou será que obrigou os utentes da Loja do Cidadão em que trabalha a assinar a sua petição sob pena de lhes extraviar os B.I’s?! O mistério permanece.

Acrescente-se que o jornalista do Público teve de ligar duas vezes para Maria Teresa porque esta se encontrava a “fritar rabanadas”. Desconfio bem que lhe devem ter saltado umas gotas de óleo da frigideira direitinhas para o cérebro.

Cavaco Silva tem-se mantido em silêncio por estes dias natalícios. Desconhece-se apenas se foi por opção ou se voltou a engasgar-se com o Bolo Rei.

A grande notícia é a de que há 13 pessoas a candidatar-se à República. Quem ficou feliz foi Garcia Pereira: afinal, há meia-dúzia de tipos ainda menos conhecidos do que ele.

Jerónimo de Sousa criticou Sampaio pela sua política ambiental – há duas notícias nesta frase:a primeira é a de que Jorge Sampaio ainda é o Presidente da República; a segunda é de que esta campanha é tão longa que já há candidatos que, para continuar a falar, têm de bater no ceguinho.

E o que é que ele quer dizer com política ambiental? Só se culpa Sampaio por ter lançado um livro sobre a sua presidência, chacinando assim mais uns quantos milhares de inocentes árvores.

Eduardo Prado Coelho escreveu que se Cavaco ganhar à primeira volta deverá agradecer a Soares. O motivo: Cavaco tem sido sempre elegante perante as insinuações e bocas avulsas de Soares. Estou contente: a partir de agora, autorizados pelo seu “guru”, deve haver uma data de opinion-makers de esquerda cheiinhos de vontade de desdizer o que têm escrito...

No DN de ontem, Vasco Graça Moura dá uma porrada em Soares como ele já não levava desde aquele dia na Marinha Grande, vai para 20 anos. Reportando-se ao debate com Cavaco, VGM diz que Soares foi tão ignominioso que devia demitir-se. Entretanto, talvez ocupado pela escrita deste texto, VGM já há pelo menos 48 horas que não publica nenhum livro, ensaio ou mesmo traduçãozinha. Que se passa? Estará tudo bem?

A propósito de Soares, o seu cartaz eleitoral vem com o slogan: MP3 – não há duas sem 3. Refere-se aos dois mandatos de Soares como presidente e ao desejado terceiro. É curioso que tenham escolhido a sigla MP3, piscadela de olho à juventude com conotação musical, sobretudo tendo em conta que quando Soares era jovem a música que estava nos tops era o minuete. Que muito furor fazia nos bailes do Paço Real.

Na ilha do Faial, ainda não foi rebocado o porta-contentores. Reparem: o cargueiro é velho, está encalhado e mete água por todos os lados: não percebo por que não se candidata a Belém.

Cavaco sugeriu em entrevista ao JN que Portugal deveria ter uma Secretaria de Estado destinada a acompanhar o estabelecimento de empresas estrangeiras. Eu, por cá, sugiro a Cavaco que leia a Constituição.

Claro que todos os seus adversários lhe caíram em cima – o que não deixa de ser irónico. Salvo erro, foi a primeira ideia que ouvimos da boca de um candidato em toda a campanha. E logo os outros se assanharam. Devem temer que o povo lhes venha agora exigir, sei lá, pensamentos e projectos.

Cavaco sofre claramente do Síndroma de Primeiro-Ministro. Mas há que ver a coisa pelo lado positivo. Se for eleito, talvez contagie José Sócrates com o mesmo.

Acabou entretanto a Faro 2005 – Capital nacional da cultura. E cavaco Silva respirou de alívio. Já não tem de lá ir, o que dá imenso jeito: ou ainda lhe perguntavam outra vez quantos cantos tem Os Lusíadas…

A casa de Cavaco e sua Maria em Boliqueime dá pelo nome de Vivenda Mariani. Desejará o casal levar a mesma tradição para Belém? Como passará a chamar-se a residência do PR? Palácio Cátia Andreia; Residência Cavaki; Casa de Belém há só uma, a nossa e mais nenhuma?

Soares afirmou que fica “furioso” quando pede maçãs ou peras num restaurante português e lhe dizem que não há. O que Soares não disse é que fica mesmo piurso quando o empregado lhe responde: “Mas há laranjas…”

O TC encontrou irregularidades em 7 das 13 pré-candidaturas. Nomeadamente ao nível das 7500 assinaturas necessárias. Consta que Manuela Magno, por exemplo, terá assinado 7500 vezes o seu nome.

A terminar, uma anedota: o que têm em comum uma candidatura à Presidência da República e uma incineradora? Na verdade… nada, mas gostei da imagem. LFB

3 Comments:

Blogger NP said...

Belo texto, o LFB é o maior.... ! Ri-me e diverti-me imenso ao ler este texto, em especial a boca do cargueiro encalhado e mais umas do género quepor aqui escreveu.

Força ai Mr.Pastel de Nata

9:12 da tarde  
Anonymous detritus said...

Já eu não consegui encontrar a graça. Piadas facéis, pouco pensadas e, por vezes, nada originais. Por exemplo, sabe-se que nas últimas presidenciais foi Manuel João Vieira que assinou 7500 vezes o seu próprio nome...

1:01 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

É um cara de cu de pastel com uma boina de merda na cabeça...

12:54 da manhã  

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