12/09/2005

Farpas

Rubrica diária de humor, transmitida na Rádio Presidenciais On-Line (Média Capital Rádio) e, a partir da próxima semana, com emissão após os noticiários das rádios Best Rock, Cidade FM e RCP.

nota: não me batam por causa do título pretensioso - já estava escolhido, decidido e gravado pelo marketing da MCR. Sorry.

(farpas de 6 a 9 de Dezembro)

Ora bem, as próximas eleições presidenciais – parecendo que não – já resolveram alguns problemas do país. Por exemplo, desde que Mário Soares visitou Vila Nova de Foz Côa, que já sabemos quem é o autor das pinturas rupestres. Foram feitas por ele, durante uma visita de estudo nos seus tempos de escola primária.

Mas vamos directamente ao primeiro debate, realizado ontem entre Cavaco Silva e Manuel Alegre. Ambos recordaram que são candidatos supra-partidários. Sim, esta é a semelhança. Qual a diferença então, pergunta o amigo ouvinte? Simples: no caso de Alegre, o partido não quer nada com ele; no caso de Cavaco, é ele que não quer nada com o partido.

Contudo, este debate trouxe uma estranha novidade: os interlocutores não se podiam interromper. Hã? Um debate onde não se pode interromper?! Não é uma contradição nos termos? Não é mais ou menos como poder dançar um slow do Bryan Adams com uma miúda muito gira mas não estar autorizado a tocar-lhe?

Manuel Alegre já tinha dito que "dormia descansado" com Cavaco em Belém. E começou a prová-lo ontem. Pelo menos, tenho quase a certeza de que o ouvi ressonar enquanto o professor falava.

De qualquer forma, quando falou, falou bem. Quer dizer, para ser sincero, não prestei muita atenção às palavras de Alegre. Mas ele tem aquela voz de quem é capaz de ler uma embalagem de Doritos e convencer-nos que se trata de Shakespeare. E isso tem de valer alguma coisa.

Já Cavaco falou tão baixinho e delicadamente que parecia estar num velório. A julgar pelas sondagens, talvez estivesse a velar por Mário Soares.

Ah, é verdade! Sei que custa a acreditar mas parece que o Presidente da República ainda é Jorge Sampaio. Era só para lembrar.

No último Expresso dizia-se que Mário Soares ainda não juntou, sequer, as assinaturas necessárias para se poder candidatar. Há aqui dois factos extraordinários: o primeiro é que o Expresso deu uma notícia; o segundo é que Soares provou que quer – mesmo – ser o presidente de todos os portugueses: até como candidato tem a humildade de estar na mesma situação do Manuel João Vieira.

Quem não ouve Ena Pá 2000 de certeza é Manuel Alegre. Quando lhe perguntaram o que tinha feito para preparar o debate com Cavaco, Alegre respondeu que tinha passado a tarde a ler Homero. Pacman, o seu mandatário da juventude comentou, de imediato, "QUÊ?!".

A opinião geral é a de que o debate entre Alegre e Cavaco foi chato. Mas houve coisas positivas: o ambiente no estúdio da SIC era tão soturno que quase não se via a careca ao Rodrigo Guedes de Carvalho.

Marcelo Rebelo de Sousa acha que a democracia portuguesa "tem tiques de muito jovem e de muito velha". Depois desta, estou ansioso para ouvir a opinião do professor sobre os candidatos presidenciais: Cavaco é muito rígido e muito flexível; Louçã é muito à frente e muito beato; e Soares é muito vivo… mas também muito morto.

A campanha de Manuel Alegre tem um orçamento curto por isso os cartazes do candidato só estarão presentes nas principais cidades do país. Quem me dera que o mesmo problema afectasse os outros candidatos. Seria muito benéfico, sobretudo de um ponto de vista higiénico – e o país real ficava logo mais bonito.

Entretanto, Cavaco Silva acha que Portugal vive – passo a citar – "uma situação anormal". Não tenho a certeza mas julgo que Cavaco devia estar a referir-se à média de idades dos candidatos presidenciais: ligeiramente superior à esperança média de vida em Portugal.

Não que haja nada de mal nisso. Aliás, um dos aspectos positivos da questão é que talvez o nosso país perca a triste aura conquistada com o moroso processo Casa Pia. Talvez passemos de um país de pedófilos para uma nação de gerontófilos.

A propósito, Mário Soares fez ontem 81 anos. Um jornalista qualquer perguntou ao candidato aquilo de que ninguém estava à espera: "Então, como é que se sente?". Soares respondeu que se sentia muito bem. Pois, não admira. Se eu tivesse a Joana Amaral Dias ao lado, a cortar-me o bolo no dia de anos… ó meus amigos, até podia ter pé-de-atleta, sarampo, febre amarela e uma dor marreca nas costas, que podem ter a certeza que responderia igualmente: "Sinto-me muuuuito bem, o que é que você acha?"

Há exactamente um ano atrás, tinha Soares apenas 80, dizia o ex-presidente: "Basta". Basta de cargos políticos, basta de carreira na política. Um ano passado, é o que se sabe. Mas o que me espanta é que exista quem se admire com isto. Caríssimos, passaram 365 dias. Soares amadureceu desde então – e toda a gente sabe que a juventude é dada a excessos irreflectidos. Poupem-no, caramba.

Apesar do atraso nas sondagens, é preciso não esquecer o voto dos emigrantes. E, no caso de Soares, o voto dos dinossauros. Talvez possam fazer a diferença, quem sabe?

Ontem, na sua festa de anos, os apoiantes de Soares – numa referência aos dois mandatos presidenciais que acumula no currículo – gritavam repetidamente para as câmaras de televisão: "Não há duas sem três!". Desconfio que os apoiantes de Cavaco devem estar prestes a responder com outro provérbio popular: "Está bem… Mas à terceira é de vez".

Quando perguntaram a Cavaco se gostaria de estar presente quando se cortasse o bolo de anos de Soares, o professor recusou. Naturalmente. Tinha medo que fosse bolo-rei.

Se porventura houvesse um debate com todos os candidatos seria mais ou menos assim: Cavaco contra o mundo: Soares diria que Cavaco só percebe de economia; Cavaco responderia: sim, mas vou ganhar; Alegre diria que Cavaco é pouco culto; Cavaco diria, em sua defesa: está certo mas vou ganhar; Louçã acusaria o professor de ter tiques totalitários; Cavaco argumentaria: talvez… é verdade, por acaso já vos disse que vou ganhar? Jerónimo atacaria o professor por causa do conceito da "cooperação estratégica"; Cavaco responderia, por fim: É bem capaz de ser verdade, sim, mas sabem de uma coisa? Vou ganhar na mesma!

Garcia Pereira queixou-se de ninguém o convidar para os debates. Sim, é só isto… Já não é piada suficiente?

Francisco Louçã acusa a candidatura de Cavaco de ter um cariz monárquico. Mau, já não bastava a perspectiva de voltar a ter Maria Cavaco como primeira-dama… tu queres ver que ainda vamos ter de aturá-la como rainha? Não acham que o povo (e D. Duarte) já sofreram o suficiente?

Soares e Jerónimo debateram ontem. O primeiro aqueceu para o debate com Cavaco, o segundo falou para aquecer.

A propósito do frio que se faz sentir, Miguel Portas acha – friamente – que Joana Amaral Dias deve demitir-se do Bloco de Esquerda. Desconfio que é a primeira vez na vida dela que a Joana leva tampa de um homem. A propósito, Joaninha… qualquer coisa, já sabes, me liga, tá?

A terminar, Mário Soares afirmou que ter 81 anos é exactamente o mesmo que ter 18, "mas ao contrário". Numa notícia relacionada com esta, Bibi disse que ter 13 anos é o mesmo que ter 31. Bom fim--de--semana.

Luís Filipe Borges

2 Comments:

Blogger anatoli said...

Última hora!
Lisboa: brasileiro esfaqueia 6 pessoas «a pedido de Deus».

Mário Soares e Cavaco Silva apressaram-se a desmentir terem dado ordens nesse sentido. Mourinho não confirma nem desmente.

2:29 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

EXcelente!!!!!!!!!!!!!!!!!!

4:15 da tarde  

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