1/10/2006

Farpas

crónica de humor para a Best Rock, Cidade FM e RCP (MCR)

(de 3 a 10 de Janeiro)

*desculpem ir sem imagens mas estou num computador que não me permite adicioná-las. É favor imaginar a Joana Amaral Dias a cada linha em branco.

Soares continua a fazer das suas. Agora resolveu acusar a SIC de parcialidade embora sem dar exemplos disso mesmo. Disse apenas que há jornalistas, os estagiários, que já trazem “perguntas parvas” preparadas. Com tantos tiros no pé, rapidamente se chega à conclusão que o problema de Soares não é ser velho, é estar coxo.

O veterano candidato, entretanto, jantou anteontem com 500 mulheres criando mais um problema à esquerda portuguesa. Agora, parece que Santana Lopes quer filiar-se no PS.

Em Coimbra, a sede de candidatura de Cavaco foi assaltada. O furto foi calculado em mais de 5000 euros mas a polícia conseguiu apanhar em flagrante um dos ladrões. Não, apesar do que estão a pensar, desta vez Soares não teve nada a ver com isso.

Jorge Sampaio chamou o ministro da Economia a Belém para saber os contornos da entrada dos espanhóis da Iberdrola na EDP mas as televisões não tinham imagens da conversa. O ruído dos candidatos é de tal ordem que até os telejornais se parecem ter esquecido de que não só Sampaio ainda é presidente como, surpresa das surpresas, continua a trabalhar!

Por falar em Sampaio, Manuel Alegre botou faladura para dizer que deseja ser o “herdeiro” de Jorge Sampaio. O presidente reagiu a propósito: chorando, claro.

Alguns media ingleses consideraram Durão Barroso a personalidade mais relevante e influente de Inglaterra, à frente mesmo de Tony Blair. Durão Barroso? O cherne?! Deve ser a isto que se chama “humor britânico”.

O novo grito de campanha de Cavaco, de cada vez que o candidato caminha pelas ruas, é “Cavaco à primeira”! Excepto quando se cruza quando a comitiva de Soares, que grita: “Cavaco à primeira... cabeçada!”

O professor Aníbal criticou ainda os financiamentos partidários dos outros candidatos. Isto vindo do homem com o maior orçamento de campanha e único a ter o apoio de dois partidos. Conclusão: faz como eu digo, não faças como eu faço.

Garcia Pereira, o 6º e último candidato admitido pelo TC, classificou os 10 debates que vimos na TV: “9 conversas de café e um combate de boxe”. Como não participou em nenhum, só se pode concluir que as funções de Garcia Pereira neles foram a de 9 vezes empregado de mesa e uma vez espectador.

Francisco Louçã diz que o eleitorado de esquerda vai decidir entre ele e Mário Soares. Tendo em conta a diferença de idades entre os dois idades, vai ser mais ou menos como escolher entre uma broca ou um narguilé.

Cavaco utilizou uma metáfora para o inaginarmos em Belém: a do presidente-treinador. Tendo em conta que, até hoje, o PR exerceu sempre as funções de árbitro, diria que esta perigosa declaração fez-me pensar que, pela primeira e única vez na vida, preferia optar por um frouxo Peseiro em detrimento de um impositivo Mourinho.

Pois é, Cavaco começou finalmente a cometer erros atrás de erros. Em Grândola, no Alentejo, cantou o “Grândola, Vila Morena”. Espero agora, ansioso, por ver Soares cantarolar uma marcha do exército ou Louçã a trautear o hino da ex-RDA.

Ao mesmo tempo, Alegre evocou o nome de Álvaro Cunhal como sua referência numa visita ao Forte de Peniche. Cavaco a cantar Zeca Afonso, e Alegre a idolatrar um comunista?! Definitivamente, Portugal enlouqueceu!

Foi noticiado que a comitiva de Garcia Pereira cabe toda dentro de um Mercedes antigo. Mas o caso muda de figura quando pensamos no seu número de votantes: cabem todos num mini-bus da Carris.

Também foi notícia que o Governo pensa fechar dois hospitais psiquiátricos. Mais uma porta que se fecha, assim, para Manuela Magno, Carmelinda Pereira, José Maria Martins e restantes pré-candidatos recusados pelo TC.

Mário Soares trocou o nome do seu apoiante Miguel Coelho pelo de Jorge Coelho e explicou que “se não fizesse um lapso, não tinha graça nenhuma”. Está finalmente explicada a candidatura, aos 81 anos, de Soares: foi uma piada.

Começou, oficialmente, a campanha eleitoral. Ah, sim? Agora é que é a sério? E antes foi o quê, um pesadelo?

A propósito de sonhos maus, o pai de Cavaco veio anunciar ao país que o seu filho é um catedrático e não “um veterinário qualquer”. É pena. Nesse caso seria capaz de votar nele para Belém. A ver se punha ordem na selva que é a classe política portuguesa.

Entretanto, Cavaco copiou Manuel Alegre, ao dizer que “o PR não pode ser um corta-fitas”. E depois ainda dizem que Cavaco é inculto. O homem até plagia poetas!

Ontem, em Cascais, Cavaco foi surpreendido pela multidão e teve de subir para cima de um carro munido de um microfone. Só quero saber o seguinte: e agora quem é que me paga a pintura?

José António Saraiva escreveu que, num país onde os velhos se recolhem à solidão à espera de morrer, Soares veio provar que a vida é para ser plenamente vivida até ao fim. Hmm... não sei porquê, desconfio que o ex-director do Expresso não está a falar propriamente de Soares; está mas é a tentar convencer-se a si mesmo.

Alberto João Jardim disse, na Madeira, que mata quem não votar Cavaco. Isto é uma grande notícia e passo a explicar porquê: tendo em conta a relação atribulada que os dois sempre tiveram quando Cavaco foi primeiro-ministro, duvido que Jardim vá votar nele. Portanto, se cumprir a promessa, é bem capaz de cometer suicídio.

Maria Barroso é a única esposa de um candidato que tem o seu próprio programa de campanha. A sorte do marido é que ela não entra nas contas das sondagens. Da forma como as coisas estão, não me espantava que Maria Barroso somasse mais intenções de voto que todos os candidatos da esquerda.

O seu marido, entretanto, veio dizer que “se perder, a culpa é minha”. Soares aterrorizou assim todos os elementos da sua campanha, espalhando comoção e pânico, porque nunca tinham visto um político fazer uma coisa semelhante: dizer a mais pura das verdades.

Ainda no capítulo soarista, está a ser preparada uma manifestação à porta da sede de campanha do candidato. Parece que as eleições são já dia 22 mas existem cerca de 4000 cabeleireiras, feirantes e peixeiras que ainda não deram um pézinho de dança com Soares.

Jerónimo de Sousa acusou Manuel Alegre de “oportunismo inaceitável” na homenagem que fez a Álvaro Cunhal no Forte de Peniche. Alegre respondeu, dizendo que “se Jerónimo continua a falar assim, leva a sério”! Aparentemente, Alegre ganhou novos apoiantes: os seguranças de José Veiga.

Elementos da comitiva de Soares tem vindo a gritar nas ruas – numa referência a Cavaco - que “Em Belém quer-se um doutor, não se quer um professor!”. Ficámos assim a saber que, se for eleito, há um problema que Soares não vai conseguir resolver – o da colocação de professores.

A terminar, continua no castelo de São Jorge, e até 31 de Janeiro, a exposição do fotógrafo Oliviero Toscani, intitulada “Burros”. Curiosamente, não há – até ao momento - nenhuma acção de campanha programada para o castelo.
LFB